Desde sua fundação, a CrediSeara carrega um compromisso que vai além do crédito: o desenvolvimento local sustentável, a consolidando como referência regional pela atuação social e ambiental. Neste ano, esse legado ganhou um novo capítulo com a participação inédita da CrediSeara em um curso internacional sobre bambu, realizado na China, promovido pela Organização Internacional de Bambu e Rattan (INBAR), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) do Brasil.
A cooperativa foi uma das poucas instituições brasileiras selecionadas entre mais de 100 projetos inscritos no país. Representada pelo assessor técnico Ezequiel Giaretta, a CrediSeara marcou presença no seminário, realizado em Pequim entre os dias 10 e 29 de outubro, ao lado de outras 25 instituições participantes de 11 estados brasileiros, todos reunidos em torno de um tema urgente e promissor, o uso do bambu como alternativa viável e sustentável ao plástico.
Conforme explica o assessor técnico da CrediSeara, Ezequiel Giaretta, a seleção da cooperativa para o curso surgiu a partir de um edital público do MDA, de incentivo às instituições para apresentar projetos ligados ao uso sustentável do bambu. A proposta da cooperativa de implantar 1.000 hectares de bambu nos municípios de atuação da cooperativa, com um plano de viabilidade econômica, de 20 mil reais por hectare, foi uma das contempladas, possibilitando vivenciar a imersão técnica na Ásia. “Ficamos imensamente felizes quando soubemos da aprovação da CrediSeara para participar desse projeto. Logo, as expectativas eram de aprender novas tecnologias, conhecer a cultura local, vivenciar o uso do bambu na prática e, especialmente, entender como a agricultura familiar chinesa trabalha com essa planta”, relata Ezequiel.
Durante os 19 dias de curso, os integrantes participaram de cerca de 30 atividades, entre aulas teóricas e visitas técnicas a indústrias, centros de pesquisa e comunidades camponesas. Ezequiel detalha que a recepção calorosa já no aeroporto, com tradutoras e sinalização personalizada, foi um prenúncio da experiência rica que viria a seguir. Para ele, uma das visitas mais impactantes foi em fábricas que demonstram o potencial do bambu. “Mais de 10 mil produtos são fabricados a partir deste material na China, desde móveis e utensílios domésticos até estruturas completas de edifícios e peças automotivas. A China transforma o bambu no que ela quiser. Podemos observar prédios inteiros construídos com bambu, inclusive contêineres com durabilidade superior a 12 anos”, afirma Ezequiel, ao completar sobre o conteúdo teórico do curso que destacou o potencial ambiental do bambu, especialmente no que diz respeito à captura de carbono, onde um hectare de bambu pode absorver até cinco toneladas de dióxido de carbono da atmosfera por ano, uma capacidade que supera outras culturas tradicionais.
Conforme dados da Organização Internacional de Bambu e Rattan, na China o bambu já representa 5% das transações agrícolas, com expectativa de alcançar até 15% até 2035. O país movimenta 450 bilhões de yuans, moeda local, com a cadeia produtiva, reforçando o valor econômico agregado ao potencial ecológico. “Na prática, o curso também mostrou soluções adaptáveis à realidade brasileira, como uma mini indústria móvel que transforma bambu em pallets e carvão diretamente nas propriedades rurais, tecnologia com baixo custo e alta aplicabilidade, especialmente para pequenos produtores”, detalha Ezequiel.
O assessor técnico assinala ainda a qualidade e diversidade da cadeia do bambu no Brasil. Todavia, apesar de o país possuir a maior floresta nativa de bambu do mundo, localizada na Amazônia Sul-Ocidental, com cerca de 18 milhões de hectares, o uso da planta ainda é tímido e pouco explorado. Para Ezequiel, a viagem também serviu para fomentar trocas com outros brasileiros, com quem a CrediSeara já vislumbra futuras parcerias. “Pretendemos colaborar com políticas públicas e adaptar tecnologias aprendidas ao contexto regional, inclusive para fomentar o uso do bambu como fonte de renda e substituto viável ao plástico. Todas são iniciativas viáveis, práticas, baratas e com impacto ambiental e econômico muito grande. A partir dessa vivência, queremos contribuir para a criação de cadeias produtivas que façam sentido para nossa realidade”, ressalta.
A CrediSeara tornou-se a única cooperativa de crédito brasileira a participar do curso internacional até o momento. Isso posiciona a instituição como referência nacional em inovação sustentável no setor financeiro cooperativo. “Esse é um passo coletivo. Cada associado da CrediSeara estava, simbolicamente, representado na China. Isso nos torna referência e prova que é possível, sim, transformar inovação em prática local, em renda e impacto ambiental positivo”, finaliza Ezequiel Giaretta, assessor técnico da CrediSeara.